Arquivo mensal 28/02/2021

porRicardo Jorge

Conta de luz energia solar e planejamento

Este artigo sobre Conta de luz, energia solar e planejamento, talvez seja um pouco polêmico, mas é fruto de algumas reflexões após utilizar por alguns meses, um pequeno sistema solar residencial que instalei.

É importante esclarecer que antes de instalar meu sistema de energia solar, pesquisei vários artigos e vídeos na Internet.

Contudo, até o momento, não encontrei abordagens práticas sobre a real economia e custo de um sistema de energia solar.

Para sistemas de médio e grande porte, imagino que estudos detalhados sejam feitos, visando obter o melhor resultado em função dos investimentos feitos.

Já nos sistemas pequenos e residenciais, parece existir dificuldade para avaliar os seguinte itens :

  • Objetivo final
  • Otimização pré instalação
  • ROI
  • TCO

Vamos analisar cada um dos itens citados.

Objetivo final

Para qualquer investimento a ser feito, é necessário traçar um objetivo e para quem pretende instalar um sistema de energia solar, o principal objetivo é poder economizar na conta de luz.

As pessoas não instalam apenas porque ouviram falar que é uma onda do momento, seu vizinho também instalou, ou teve a ideia depois de assistir um documentário na TV, ou alguns vídeos na Internet.

Ou seja, não deveria ser algo feito por impulso, mas sim, com muito planejamento e detalhamento de fases.

Também não podemos esquecer que a energia solar só esta disponível durante o dia, através da luz do sol, e para ter máxima captação, em dias com poucas nuvens.

Se você pretende construir um sistema autônomo, sem nunca depender da Concessionária, precisa avaliar com muito cuidado e cautela.

Não é impossível instalar um sistema de energia solar totalmente autônomo, mas os custos podem ser proibitivos para uma residência.

Otimização pré instalação

No momento, a expectativa da vida útil para os painéis solares é entre 20 a 25 anos.

Desta forma, seria lógico que a pessoa que deseja instalar um sistema de energia solar, tenha uma visão de médio / longo prazo.

Somando isto ao item Objetivo Final, precisamos fazer a seguinte pergunta:

Se quero economizar energia, porque não otimizo meus gastos antes da instalação do sistema de energia solar ?

Otimizando antes, é bem provável que o projeto de seu sistema solar ficará mais barato.

Além disto, quando você estiver utilizando a energia da Concessionária, durante a noite ou nos dias nublados, seu consumo também será menor !

Como faço para otimizar meu consumo de energia ?

  • Automação residencial :
    • Ligando / desligando automaticamente equipamentos
    • controlando a iluminação e a temperatura ambiente
    • controlando o sistema de aquecimento central
  • Ajustando sistemas de aquecimento e refrigeração
    • Aquecimento por acumulação
    • Refrigeração baseada em ventilação
  • Equipamentos podem ser substituídos por modelos mais econômicos
  • Repense o uso da energia em sua casa, comércio, empresa. etc.

Observação : A Tarifa Branca não altera o consumo de energia. Existem faixas de desconto e acréscimo no valor da energia elétrica consumida, dependendo do horário do dia e do dia da semana.

Caso esteja pensando em construir ou reformar, você poderá otimizar ainda mais, e até mesmo investir menos nesta otimização.

E se eu não me preocupar com tudo isto ?

Você provavelmente pagará mais pela implantação e pelo uso de seu sistema de energia solar.

Veja os próximos 2 itens de nossa lista.

ROI

O termo ROI em inglês ou Retorno sobre o investimento em português, posto de uma maneira bem simples, é uma forma de avaliar o desempenho de um investimento.

No nosso caso, quanto tempo levará para que o investimento feito na instalação do sistema de energia solar, volte para o seu bolso.

Os itens básicos para implantação de um sistema de energia solar, são :

  • Painéis solares
  • Suportes para fixação dos painéis
  • Controlador de carga ( pode existir mais de um )
  • Baterias ( caso Off-Grid )
  • Inversor – pode ser :
    • Off-Grid ( com bateria )
    • Off-Grid ( sem bateria )
    • On-Grid ( não usa bateria )
  • Cabos (depende muito das distâncias entre os componentes do sistema)
  • Quadro elétrico para interconexão
    • Pode ser necessário homologar o uso junto a Concessionária
    • Pode ser necessário adequar a instalação elétrica existente
  • Sistemas de proteção e comutação
  • Mão de obra para instalação
  • Manutenção periódica
    • Baterias ( caso existam )
    • Painéis – no mínimo precisam ser inspecionados e lavados
      • acúmulo de poeira
      • fezes de pássaros
      • geada / neve

TCO

O termo TCO em inglês ou Custo Total de Posse ( ou Propriedade ) em português, explicado de uma forma bem simples, é a maneira de avaliar o gasto inerente para manter produtos e sistemas em funcionamento.

Quanto maior e mais complexo um sistema, mais provável será ter custos maiores para mantê-lo em operação.

Mais uma vez, otimizar antes, parece ser uma boa ideia !

Com relação ao Custo de Propriedade, talvez o maior valor fique com as baterias.

Existem vários tipos de baterias, mas as mais usadas são as denominadas chumbo-ácido e sua vida útil estimada é de 4 a 5 anos.

Então, durante a vida útil estimada para seus painéis solares, que é de 20 a 25 anos, poderá ser necessário trocar de 4 a 5 vezes, todo o conjunto ( banco ) de baterias.

Nem todos os sistemas são iguais

Quando moramos em grandes centros urbanos, podemos não perceber a real abrangência e importância da energia solar para inúmeras pessoas que moram em locais afastados e com condições econômicas muito diferentes da “realidade” urbana.

Em cenários similares aos da foto abaixo, a instalação é feita e mantida pelos próprios consumidores que, muitas vezes, não estão querendo diminuir a conta de energia elétrica, apenas querem ter acesso a energia elétrica.

Esta energia será utilizada para as necessidades básicas e o sustento de quem more nesta localidade.

Sistema solar rural
Exemplo de um sistema solar em área rural

Conta de luz, energia solar e planejamento – Conclusão

Para economizar na conta de luz, através do uso de energia solar, é preciso um bom planejamento.

Não basta utilizar suas últimas contas de luz para dimensionar e instalar um sistema que ficará em operação por 20 ou mais anos.

Outro fator que parece não ser levado em consideração, é o acompanhamento ( monitoração ) do sistema após sua instalação.

Muitas vezes o usuário não tem informações claras sobre o real desempenho do sistema.

Na maioria dos casos, toda a estimativa é feita na pré instalação.

Sem um acompanhamento posterior, a percepção do ROI e do TCO, ficam prejudicadas.

Este acompanhamento posterior também será fundamental, quando adequações e ampliações forem feitas em um sistema já em produção.

Isto ajudará tanto o usuário como o profissional que atua com energia solar.

Perguntas como :

  • Como está a geração de energia ao longo das estações do ano
    • Considerando dias da semana e horários do dia
  • Como está o consumo de energia ao longo das estações do ano
    • Considerando dias da semana e horários do dia
  • Como minhas baterias estão sendo carregadas e descarregadas
    • A vida útil das baterias é afetada por :
      • ciclo de carga / descarga
      • tensões máximas de carga e mínimas de descarga
  • Caso deseje ampliar seu sistema, onde investir da melhor formar
    • Tenho problemas de consumo
    • Tenho problemas de geração
    • Tenho problemas de acumulação ( caso das baterias )

A energia solar é uma fonte incrível de energia e deve ser melhor utilizada por nós.

Projetos adequados e bem acompanhados, garantem bons resultados, melhoram a vida útil do sistema e maximizam os investimentos feitos.


E você que já tem um sistema de energia solar em sua residencia, conte como tem sido sua experiência.


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porRicardo Jorge

IoT monitorando o consumo de água do planeta

Neste artigo sobre IoT monitorando o consumo de água do planeta, faremos uma reflexão sobre como melhorar o consumo e o uso dos recursos hídricos do planeta, através do uso da tecnologia.

Na direção de um planeta inteligente, temos várias ações a serem tomadas e a preservação da água, é um dever de todos nós.

Poucas vezes paramos para pensar sobre a importância da água em nossas vidas.

Alguns exemplos de uso, são :

  • Irrigação ( agricultura )
  • Fins industriais
  • Geração de energia
  • Mineração
  • Navegação
  • Turismo e lazer
  • Saneamento
  • Abastecimento de nossas casas
ANA_Agua
ANA – uso da água no Brasil

Para mais detalhes sobre o uso da água no Brasil, conheça a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

Precisamos prestar atenção no gráfico acima e refletir que a água da qual falamos, é a chamada água doce, que representa perto de 2,8% de toda a água da Terra, enquanto 97,2% está nos mares.

Enquanto isto, existem milhões de pessoas sem acesso a água potável.

IoT monitorando o consumo de água

A distribuição e o consumo de água precisa ser acompanhada pelos consumidores e também pelo fornecedores.

Do lado dos consumidores, saber da existência de um vazamento dentro de seu imóvel, não é só uma questão de economia e consciência ecológica, mas também de segurança.

Um vazamento pode afetar a estrutura do imóvel e danificar bens de seu proprietário e até de outros imóveis, principalmente no caso de um condomínio vertical.

Alguns estudos mostram que danos causados por vazamento de água tem 12 vezes mais chance de acontecer do que danos causados por incêndio.

A monitoração do consumo também evita surpresas no fim do mês, após o vazamento ter ocorrido por vários dias seguidos, sem ser notado.

Para as empresas fornecedoras, saber sobre a qualidade da água entregue para os consumidores, é vital para o cumprimento de metas definidas por Órgãos Governamentais e Agências de Saúde.

Monitorar a pressão ao longo da distribuição, pode ser um indicador de vazamentos ou de uso indevido.

Desta forma, as principais frentes para o uso de IoT na monitoração de água, são :

  • Qualidade
  • Consumo

Para qualidade, os principais indicadores são :

  • Condutividade
  • Pressão absoluta
  • Temperatura
  • Cloro ativo
  • Turbidez
  • Matérias orgânicas, etc.

Com relação ao consumo, temos :

  • Vazamentos
  • Imprecisão na medição
  • Uso indevido
  • Ineficiência do sistema de distribuição

Existe também o tratamento de água industrial, tanto para seu reuso como para devolver parte dela para rios, lagos, etc..

Para monitoração da água industrial, os principais indicadores são :

  • Condutividade
  • Temperatura
  • pH
  • Nível de oxigênio
  • Turbidez

Um planeta inteligente, pode ser desenvolvido à partir de ideias e soluções simples, que evoluirão conforme a necessidade e os avanços permitidos pela introdução de novas tecnologias.

O investimento em IoT tem mostrado um benefício contínuo para todas as frentes onde é aplicado.


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porRicardo Jorge

Como funcionam as redes 5G – e como elas mudarão os dispositivos IoT

by Davi Gomes @techwarn

A tecnologia de comunicação 5G chegou nos últimos anos causando uma série de debates: de efeitos à saúde humana até espionagem digital internacional, é comum encontrarmos diversas matérias sobre essa tecnologia, mas raramente encontramos alguma explicação real de como é o funcionamento das redes 5G e suas aplicações reais, como os dispositivos de internet of things.

Já podemos adiantar que as ondas eletromagnéticas dessa tecnologia não causam doenças, não prejudicam a saúde e não são ionizantes. Além disso, mesmo diante das polêmicas com países como a China e a gigante Huawei, o Brasil e outros países já começam a receber antenas de 5G e, ao longo dos anos, veremos uma adoção cada vez maior por parte das operadoras e fabricantes de smartphones. Então acompanhe este artigo e aprenda tudo o que precisa saber sobre 5G e suas aplicações.

As redes 5G

A grande promessa das redes 5G para o público é o aumento drástico da velocidade de dados móveis e maior capacidade de suporte para dispositivos conectados. A realidade é que uma rede 5G mmWave pareada com uma VPN brasileira para redução de latência tem o potencial de entregar aos brasileiros uma velocidade maior que a imensa maioria das Wi-Fi domésticas. É por isso que o 5G tem um potencial gigantesco para transformar a realidade das telecomunicações.

Dentro das tecnologias de telefonia móvel, convencionou-se a nomenclatura em gerações: a rede 1G é a tecnologia de telefones analógicos antiga, 2G representa a telefonia digital, a rede 3G comporta tecnologias como a HSDPA que aumentaram a velocidade e o foco em conectividade com a Internet, e a rede 4G popular atualmente, entrega velocidades ainda maiores e maior número de dispositivos ativos. A rede 5G é a nova geração de tecnologia móvel, mas dessa vez, engloba 3 tipos bastante distintos dentro de um mesmo nome, são eles:

  1. Low-band: Propaga seus sinais abaixo dos 2 GHz, faixa que antigamente comportava os canais de TV analógica, hoje inexistentes. As redes 5G low-band possuem velocidade semelhante ao 4G atual, porém, comportam um número muito maior de aparelhos conectados sem sacrificar a estabilidade.
  1. Mid-band: Sinais entre 2 e 10 GHz. Esse espectro já engloba as redes Wi-Fi, Bluetooth e 4G. Desse modo, é possível usar a técnica de DSS para mesclar redes já existentes com repetidores 5G, permitindo que a transição entre antenas e áreas de cobertura seja suave e não apresente interrupções. O 5G DSS é o que temos no Brasil atualmente, enquanto outras tecnologias ainda não são implementadas pelas operadoras.
  1. High-band: Chamada de mmWave, ou onda-milímetro, é o grande carro-chefe das redes 5G. Suas velocidades altíssimas superam a casa dos 200 gigabits por segundo, superando até mesmo redes domésticas de fibra óptica. No entanto, o alcance das antenas é curtíssimo, não superando um quarteirão de distância.

E como as redes 5G afetam a Internet of Things?

Além da vantagem clara de uma velocidade mais alta de downloads em smartphones, e da possibilidade de suportar o número cada vez maior de celulares, as redes 5G têm o potencial de transformar as aplicações de IoT e acelerar sua adoção.

Até então, aparelhos miniaturizados inteligentes dependem da redução dos transistores e microprocessadores para aumentar sua eficiência, capacidade e desempenho. Mas conforme nos aproximamos dos limites teóricos, está cada vez mais difícil agregar maior poder de processamento em dispositivos cada vez menores. Com redes 5G possibilitando um tráfego altíssimo de dados, o problema está resolvido: um relógio inteligente, por exemplo, pode enviar rapidamente todos os dados para um servidor mais poderoso e receber a resposta em milissegundos.

Já encontramos aplicações parecidas com as tecnologias de cloud streaming para jogos, que realizam a renderização em supercomputadores e entregam o vídeo em tempo real para os usuários, como é o caso do serviço Xcloud que já está disponível no Brasil. Com o 5G, essa tecnologia poderá ser aplicada em qualquer objeto cotidiano, com baixo custo para a infraestrutura de rede.

Além disso, a possibilidade de transição suave entre antenas permite que as redes 5G pavimentem o futuro para carros inteligentes e outros dispositivos que não podem perder sua conexão. Até mesmo dentro do ambiente doméstico, a conexão 5G pode ser uma forma mais rápida de comunicação entre diversos aparelhos inteligentes. Seu smartphone poderia, por exemplo, fornecer sua localização ao retornar do trabalho para que seus dispositivos de IoT em casa iniciassem uma rotina específica, abrindo a garagem, acendendo luzes, ativando o aquecimento, por exemplo.

A integração das tecnologias de miniaturização, 5G e bandas ultra largas para localização de dispositivos e proximidade relativa, será o futuro da internet das coisas e dos dispositivos que marcarão as próximas décadas. Por isso, não deixe de aprender como desenvolver, vender e ter sucesso com IoT.



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porRicardo Jorge

Como desenvolver vender e ter sucesso com IoT

Neste artigo sobre Como desenvolver, vender e ter sucesso com IoT, será feita uma abordagem sobre alguns pontos fundamentais que ajudarão no planejamento do desenvolvimento e na comercialização de um produto ou serviço com foco em IoT.

Como a maioria dos desenvolvedores tem um perfil muito técnico, deixam de observar detalhes importantes, como :

  • Pesquisa de mercado junto aos clientes
  • Como qualificar e posicionar o produto / serviço para o mercado
  • Uso da tecnologia versus resultado a ser alcançado
  • Replicação do produto / serviço em outros cenários

Estes são alguns exemplos, sobre os quais precisamos pensar, antes da criação de um produto / serviço.

O que significa IoT?

A maioria das pessoas responderá : Internet of Things, ou Internet das Coisas, em português.

Isto está totalmente correto, mas IoT também é usado como “buzzword”, ou palavra da moda, para muitas coisas e por muitas pessoas e empresas.

Atualmente, o termo IoT é uma forma de referência a qualquer coletor e / ou atuador, que possa ser acessado de maneira remota.

Acabou virando um enorme guarda chuva que abriga diversos tipos de dispositivos, quer estes usem ou não Internet.

Então, se você está pensando em desenvolver um produto ou serviço que faça a leitura de algum parâmetro ( sensor ) e que possa controlar algo ( atuador ), acabará classificando este dispositivo ou serviço, como sendo relacionado com IoT.

Isto facilitará a absorção da ideia do produto pelo mercado, e ainda acabará sendo impulsionado por toda força que o termo IoT agrega.

De fato, muito do que chamamos hoje de IoT, pode ser classificado como Telemetria.

Em uma busca recente feita na Internet, pude verificar que existem várias empresas vendendo sistemas para telemetria !

Nem todo dispositivo designado como IoT, tem um sensor e um atuador conjugados.

Exemplos mais comuns são :

  • Sensor de temperatura
  • Sensor de umidade
  • Tomada “inteligente” – pode ligar / desligar algo, remotamente

Na lista acima, temos exemplos de 2 sensores e 1 atuador, ou seja, os sensores de temperatura e umidade só indicam os valores lidos, enquanto a tomada inteligente atua ligando e desligando algo.

Podemos utilizar a leitura da temperatura e da umidade para decidir se ligamos ou desligamos algo, como por exemplo, um aquecedor ou ventilador.

Considerando o uso em uma indústria, os sensores poderiam ser de pressão e contagem de produtos na esteira, e os atuadores controlarem a abertrura e fechamento de uma válvula ou a velocidade de um motor.

Já na agricultura os sensores poderiam ser de temperatura e umidade do solo, e o atuador controlar um sistema de irrigação.

Para uma granja, os sensores poderiam ser de luminosidade e temperatura ambiente, e os atuadores controlarem as lâmpadas e a ventilação do galpão.

Várias “coisas” que hoje são comercializadas como dispositivos IoT, já existiam faz um bom tempo!

Não podemos esquecer que um simples sistema que liga e desliga uma lâmpada é considerado IoT por várias pessoas e também por empresas que atuam com automação residencial e predial ( Casas e Prédios Inteligentes ).

Além disto, é totalmente possível, e até usado com certa frequência, que vários sensores e atuadores sejam conectados com fio a uma placa controladora próxima, e que somente esta placa tenha conexão sem fio.

Este é o caso de algumas centrais de alarme / centrais de automação.

Utilizando esta metodologia de sensores / atuadores com fio, conectados a um concentrador de comunicação, é uma boa oportunidade para retrofit, tanto para o desenvolvedor, como para o cliente, que poderá continuar a utilizar parte dos sistemas já instalados.

É preciso lembrar que, conectar cada sensor ou atuador sem fio, exige um sistema de alimentação próprio, normalmente usando baterias que necessitam ser trocadas ou recarregadas de tempos em tempos.

Ligar os sensores e atuadores a uma central que forneça alimentação, simplifica o projeto e a manutenção do sistema.

É tudo uma questão de necessidade versus a facilidade da instalação dos dispositivos que desejamos utilizar.

Como podemos ver, ter o acesso sem fio como parte integrante do dispositivo, nem sempre é o que determina que ele seja ou não um IoT, segundo a visão e a necessidade do mercado.

Para comunicação sem fio com o dispositivo, outros protocolos e formas de comunicação poderão ser usadas :

  • WiFi
  • BLE – Bluetooth Low Energy
  • ZigBee
  • ZWave
  • LoRa / LoRaWAN
  • Sigfox
  • RF ( Rádio Frequencia ) como os controles de portão de garagem
  • 3G / 4G / 5G
  • NB-IoT
  • LTE-M

Desta forma, mesmo quando usamos a Internet para acessar uma coleta ou enviar um comando, o dispositivo IoT na ponta ( edge device ), normalmente não estará conectado diretamente com a Internet.

Será muito mais comum que utilize alguma outra forma de comunicação local, para interagir com a rede da qual este dispositivo faz parte.

Isto significa que um dispositivo IoT não precisa ter conexão direta com a Internet ?

A pergunta acima é muito importante, porque pode simplificar e baratear todo o desenvolvimento do hardware ( parte eletrônica ) do coletor / atuador.

A visão existente no mercado sobre IoT, é que os vários dispositivos podem ser acessados via Internet, mas isto não significa que cada um deles, de forma individual, precise ter acesso Internet.

Esta discussão sobre o acesso Internet e IoT, não é rara de ser vista na Internet, e neste artigo em inglês, tem uma abordagem interessante sobre este assunto.

Já com relação ao acesso remoto, não significa que o dispositivo esteja em outro país ou em uma cidade distante.

Significa que vocẽ não precisa estar ao lado dele, para acessá-lo.

Sendo assim, o dispositivo remoto pode estar a poucos metros de distância, ou dentro de um equipamento que seja difícil ou perigoso acessar.

Considerando uma instalação industrial, é muito provável que todo o ambiente definido como IoT / IIoT, seja acessado e controlado sem o uso direto da Internet, mas sim, através de uma rede interna da própria empresa.

Condições como :

  • Disponibilidade
  • Custos
  • Sigilo
  • Segurança
  • Latência

Costumam definir se os dispositivos serão controlados de maneira local ou remota, mesmo que os dados coletados sejam tratados “fora”.

Neste exemplo, os dados das várias unidades de uma empresa podem ser enviados para um local central, onde serão tratados e analisados por ferramentas de Big Data / Analytics e farão parte da tomada de decisão do negócio ( sistema ERP ).

Além disto, poderão ser usados para popular painéis com diversas formas de visualização, seleção de dados e localidades ( Dashboards ).

Conforme o resultado desta análise dos dados coletados, comandos serão enviados aos atuadores, para corrigir ou adequar parâmetros do ambiente fabril.

Quem são os desenvolvedores de IoT ?

Normalmente existem 3 categorias principais de desenvolvedores :

  • Grandes empresas
  • Pequenas e médias empresas
  • Makers

O mercado de IoT conta com poucas empresas médias, situadas na faixa de algumas dezenas de colaboradores.

A maior parte do desenvolvimento está concentrado em multinacionais, que são as “grandes empresas” do quadro acima.

Depois, temos as pequenas empresas que normalmente contam com menos de 12 pessoas, sendo que a realidade aqui no Brasil, é que a pequena empresa de IoT tenha menos de 8 pessoas, considerando os criadores e os colaboradores.

No caso dos Makers, existem centenas deles trabalhando em diversos projetos.

O foco do Maker vai tanto em resolver necessidades pessoais, sem uma abordagem comercial, até os que apoiam o desenvolvimento de protótipos que serão posteriormente fabricados por uma empresa.

É claro que alguns Makers também podem se transformar em uma empresa no futuro.

Qual é o mercado para os desenvolvedores de IoT ?

Existe uma forma de analisar o mercado, considerando o volume de venda para cada setor e o tipo do produto, denominada Cauda longa.

Neste processo de análise, e no início da cauda, temos produtos com enormes volumes de vendas, sendo que estas vendas são dominadas por grandes empresas.

Exemplos de produtos ( IoT ) no início da cauda :

  • Fabricantes de sensores :
    • pressão, temperatura, umidade, qualidade do ar, câmeras
  • Microprocessadores e MCUs
  • Placas e conversores para comunicação
  • Sistemas embarcados para WiFi, BLE, LoRa, Zigbee
  • Tomadas e interruptores inteligentes

Ou seja, produtos que demandam uma fabricação em larga escala e com investimentos altos para construção de fábricas e manutenção de toda cadeia de comercialização.

Para uma pequena empresa de IoT, é aconselhável atuar na parte da “cauda” onde o volume é menor, mas com produtos e serviços mais específicos, endereçando uma necessidade identificada junto a um negócio ( empresa ).

Este perfil de produto / serviço, proporciona a oportunidade para desenvolver algo que esteja em sintonia com uma parcela do mercado e que não é “desejada” pelas grandes empresas.

Isto não significa que esta faixa do mercado, não seja promissora.

É uma questão de alinhar as necessidades do mercado com as suas competências para criar algo atrativo e benéfico para o cliente.

Mantenha a ordem natural das coisas

Quando pensar em criar algo, tenha foco em alguma necessidade existente no mercado, onde você possa atuar com um produto e / ou serviço.

Não comece a desenvolver, só porque acredita que é “legal” ou que as pessoas que você conhece também “achem” “legal”.

Mesmo que um produto já existente, possa pode ser melhorado segundo a sua visão, avalie se o mercado compraria esta sua nova versão.

O conceito de “melhor”, precisa ser percebido por quem irá comprar seu produto / serviço, e não apenas por você que o desenvolveu.

O espaço do mercado que você busca, tem necessidades a serem atendidas, onde a tecnologia usada para resolver o problema, é menos importante do que resolver o problema de maneira eficaz a um custo adequado para aquele perfil de cliente.

Não venda tercnologia, venda algo que ajude o cliente a resolver um problema !

Outro ponto importante, é entender a abrangência de seu produto / serviço.

Faça as seguintes perguntas, antes de iniciar :

  • Quantos clientes poderão ter interesse ?
    • Você identificou um nicho de atuação, ou um problema na linha de produção ?
  • Seu produto / serviço pode ser adequado para casos similares de uso ?
  • No caso de um produto, verifique se ele opera em condições adversas :
    • Temperatura
    • Umidade
    • Flutuação na alimentação
    • Tem um gabinete robusto, para o ambiente onde será instalado ?

Nem todo produto consegue operar bem, quando instalado em uma indústria, onde existem condições muito diferentes daquelas encontradas no laboratório.

Testes e validações são fundamentais !

Antes de encerrar este tópico, é importante deixar claro que, você não é obrigado a desenvolver hardware, para trabalhar com IoT.

Existem inúmeros coletores e atuadores prontos para uso no mercado.

Talvez você só precise identificar um que esteja mais próximo de suas necessidades, para atender o cliente final.

Caso seja mesmo necessário desenvolver um hardware e você não tenha esta habilidade, procure compor com alguém ou alguma empresa que possa ajudá-lo.

Comentário : alguns dispositivos podem ter, além do hardware, um software “interno”, também conhecido como “firmware”, que é necessário para a correta operação deste dispositivo. Algumas vezes, este “firmware” poderá ser substituído para adequar o uso do dispositivo para novas funções.

Lembre dos Makers ! Eles também podem te ajudar !

Outra frente de atuação, são serviços de análise dos dados coletados por dispositivos já instalados e em operação.

A criação de painéis para análise ( Dashboards ) também é uma opção de serviço voltado para o mercado IoT.

Estes sistemas não só apresentam gráficos e relatórios como podem gerar alertas e alarmes baseados em métricas pré definidas ou aprendidas durante a operação.

Isto pode gerar enorme valor para o negócio !

Tecnologia atual versus resultado positivo

Poucas vezes paramos para avaliar que tudo o que fazemos tem um resultado.

Entretanto, este resultado poderá ser :

  • negativo
  • nulo
  • positivo

Por vários motivos, as pessoas costumam usar e ouvir a palavra resultado, sempre como positivo e por isto tendem a deixar itens importantes de lado, durante o estudo de viabilidade de um produto / serviço.

Nem sempre a tecnologia mais atual, ou a que tem mais propaganda, será a melhor para seu caso de desenvolvimento em IoT.

Portanto, muito cuidado para não orientar seus estudos de viabilidade, apenas porque seu produto utiliza a tecnologia mais recente ( da moda ), e o de seus “concorrentes”, ainda não.

Toda nova tecnologia tem seu ciclo de amortização de custos e também de aprendizado.

Algumas acabam sofrendo revisões em suas especificações, pouco após o lançamento, para acomodar necessidades e usos percebidos após as primeiras implantações comerciais.

Sabendo disto, avalie o que uma nova tecnologia trará de benefícios, antes de propor seu uso como a solução de um problema.

Tenha sempre em mente que, embora você goste de tecnologia, quem comprará seu produto não vê isto como único diferencial e motivo para aquisição.

Planejamento e o ciclo de vida

Antes mesmo de inciar um empreendimento, precisamos saber que existe um ciclo de vida para todo produto / serviço.

Durante o ciclo de vida, temos 3 partes principais :

  • Introdução
    • Grande esforço para ser reconhecido e para vender
  • Maturidade
    • Você já é conhecido no mercado e vende com uma certa facilidade
    • Nesta fase os concorrentes aparecem
  • Declínio
    • Sua estratégia para o mercado precisa ser revisada

A fase do declínio não significa que é o fim de sua iniciativa naquela área de atuação, mas que chegou o momento ( e a oportunidade ), de introduzir ajustes no produto / serviço, inciando um novo ciclo.

Este ciclo de declínio é diferente conforme o perfil do produto, mas todo empreendedor precisa ficar atento para as necessidades do mercado.

Mesmo produtos que parecem consolidados, necessitam de atenção por parte das empresas que os criaram e mantêm.

Muito cuidado com a frase “Em time que está ganhando, não se mexe”.

Um exemplo interessante é o mercado financeiro.

Por muitos anos, os grandes Bancos imaginaram que seria difícil aparecerem concorrentes.

Então, chegaram as Fintechs e mudaram tudo !

Isto prova que precisamos ficar atentos ao mercado e ao ciclo de vida do produto / serviço, para introduzirmos ajustes, melhorias e adequações, toda vez que forem necessárias.

Só assim, você estará preparado para o ciclo do declínio.

Mas estes ajustes precisam ser validados junto a seus clientes e não apenas porque algo novo surgiu e você “ache” legal.

Como ter sucesso com IoT?

Percebemos que o próprio termo IoT tem significados diferentes para pessoas e empresas diferentes.

Em parte, porque estas pessoas e empresas, tentam vender para segmentos diferentes do mercado.

Um projeto IoT de sucesso, deve ter foco em resolver de maneira objetiva, algum problema específico.

Criar algo genérico fará com que você perca este foco e será difícil definir para as pessoas e o mercado, o que seu produto faz e quais benefícios ele trás.

Embora IoT seja uma palavra da moda, ninguém está disposto a investir em algo que não traga algum tipo de retorno positivo, só porque é moda.

Alguns exemplos de áreas de atuação :

  • Segurança residencial e predial
    • Sensores de gases
    • Vazamento de água
    • Temperatura
    • Ruído e vibração
  • Acompanhamento de idosos e enfermos
    • Ausência de movimento no local
    • Abertura de portas e janelas
    • Ruído : falta ou excesso
    • Botão de pânico
  • Sistemas para máquinas de venda automatizada ( vending machines )
  • Melhorar a qualidade de vida das pessoas e dos colaboradores
    • Qualidade do ar
    • temperatura ambiente
    • verificação da temperatura corporal
  • Automação residencial e predial
    • Consumo de energia
    • Iluminação
    • ar condicionado
    • cortinas
  • Controlar o uso do espaço no ambiente de trabalho
    • Uso de salas de reunião
    • Aglomeração
  • Agricultura 4.0 ( Agricultura Inteligente )
    • Sistemas de irrigação
    • medição de pH do solo
  • Energias renováveis
    • Monitoração da geração de energia
    • Montoração dos equipamentos e baterias
  • Indústria 4.0
    • automação do ambiente de produção
    • manutenção preditiva de máquinas e equipamentos

As possibilidades de aplicação dos sensores e atuadores IoT, ficam restritas por nossa imaginação e necessidade.

Identificar o correto segmento do mercado, onde você possa criar algo que atenda as necessidades do cliente, é o caminho para o sucesso de sua inciativa.

Pesquise o mercado, fale com seus futuros clientes e nunca sonhe com sucesso imediato.

Quem faz o caminho é você, usando o seu conhecimento e suas habilidades !


Compartilhe sua visão sobre este assunto, pois será importante para o desenvolvimento das iniciativas IoT em nosso país.


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